Olhando nos arquivos, descobrimos que nos idos de 1984, publicamos um artigo sobre o Juramento de Hipócrates, que até então, mesmo de forma resumida, vinha sendo utilizado por ocasião da cerimônia de graduação das turmas de Medicina da Universidade Federal do Ceará. Já aquela época, notávamos que alguns conceitos utilizados pelo famoso médico da antiga Grécia, estavam sendo influenciados por novos costumes. Por esta razão, no artigo fizemos o comentário dos diversos tópicos em que se divide o famoso juramento:
1 – Omissão de socorro
2 – Ética médica
3 – Exercício legal e ilegal da Medicina
4 - Tratamento arbitrário
5 – Eutanásia
6 – Aborto legal e criminoso
7 – Liberalismo profissional
8 – Responsabilidade médica
9 – Segredo Médico
Vejam o artigo:
O ASPECTO MÉDICO LEGAL DO JURAMENTO DE HIPÓCRATES
Artigo publicado na Revista Fêmina de outubro de 1984 por Silvia Bomfim Hyppólito
“ Eu juro por Apolo, médico e Esculápio e Higédia e Panacéia e todos os deuses e deusas, que de acordo com a minha habilidade e julgamento cumprirei este juramento e estes compromissos: respeitar quem me ensinou esta arte como se fora meu pai, repartir com ele meus bens, suavizar suas necessidades se for necessário, olhar para seus filhos como se fossem meus irmãos, ensinar-lhes esta arte se quiserem aprendê-la, sem retribuição nem condição de espécie alguma, e pelo preceito, leitura e qualquer outro modo de instrução, darei conhecimento da arte a meus próprios filhos e aos meus mestres e a discípulos ligados por compromisso e juramento, conforme a lei da medicina, mas a ninguém mais, seguirei aqueles regimes que de acordo com a minha habilidade e julgamento considerar benéficos aos meus doentes e abster-me-ei de tudo que for nocivo e deletérico. Não darei venenos mortais a ninguém, mesmo que seja instado, nem darei a ninguém tal conselho e do mesmo modo, não darei às mulheres pessário para provocar aborto.
Viverei e praticarei minha arte com pureza e santidade. Não operarei os que sofrem de pedra, mas deixarei que isto seja feito por homens que são práticos nesse ofício.
Qualquer que seja a casa em que penetre, lá irei em benefício dos doentes e abster-me-ei de qualquer ato voluntário de maldade ou corrupção, e ainda de sedução de mulheres e homens, de libertos e escravos. Tudo aquilo que tenha ou não relação com a prática da minha profissão, ver ou ouvir da vida dos homens que não deva ser divulgado, não divulgarei , respeitando tudo aquilo que deva ficar secreto. Enquanto conservar sem violação este juramento, que me seja concedido gozar a vida e a prática da arte, respeitado por todos os homens, em todos os tempos. Que outro seja o meu destino se transgredir ou violar este juramento”.